Falves Silva - Sinais

25.08—30.09.2016

 

Artista:
Falves Silva

Os trabalhos apresentados nessa exposição são um pequeno fragmento da vasta, complexa e intensa produção de Falves Silva. Com forte tendência narrativa, seja com formas geométricas seja com imagens e textos apropriados dos mais variados tipos de impresso, Falves Silva inicia sua trajetória plenamente integrado às inovações da cultura e comunicação de massa dos anos 1960: imprensa, cinema, TV, quadrinhos, sendo esses substratos para sua produção. Manipulando elementos e imagens da história da arte e da comunicação de massa, o artista produz livros de artistas, poesia visual, postais, desenhos, diversificando a abordagem e o tratamento dos materiais que elegeu.

 

De maneira mais específica, caso desejássemos traçar uma genealogia, a produção de Falves Silva poderia ser pensada como uma convergência de dois dos principais eixos da arte brasileira: os movimentos concretos e a arte conceitual.

 

Por um lado sua produção está, ainda hoje, em intenso diálogo com uma ideia de modernidade brasileira expressa nas propostas dos concretos, neoconcretos e do poema-processo – de Oswald de Andrade a Décio Pignatári e os irmãos Campos, de Wlademir Dias-Pino, Álvaro de Sá a Moacy Cirne. Cabe destacar, que o artista não só participou da exposição inaugural do poema-processo (1967) como travou um diálogo intenso com Moacy Cirne, Wlademir Dias-Pino e Álvaro de Sá.

 

Por outro, sua produção está inegavelmente atrelada à arte contemporânea, especificamente por sua vinculação à arte conceitual. Sua ativa atuação na rede internacional da arte correio nos anos 1960 e 70 possibilitou não só o reposicionamento e inserção de sua produção em uma vanguarda descentralizada e simultânea mas também a criação de alternativas ao espaço institucional e um intenso e profícuo diálogo com artistas de distintas gerações e nacionalidades, dentre os quais Jota Medeiros, Ivald Granato, Leonhard Frank Duch, Paulo Bruscky, Hudinilson Jr, Clemente Padín, Edgardo Antonio Vigo, Ulises Carrión e Horácio Zabala.

 

Tipógrafo e gráfico desde adolescência, muito cedo inicia uma intimidade com o papel, eleito a matéria única com a qual produz seus desenhos, poemas e colagens convertendo este elemento numa espécie de presença e de identidade da sua própria criatividade.

A série Sinais, composta por mais de 40 poemas visuais, ao mesmo tempo em que evoca a colagem como uma questão latente em sua produção, por sua ênfase nas formas e narrativas geométricas, ecoa o diálogo com o movimento concreto e o poema processo. Nela identificamos um vocabulário recorrente na produção do artista: o quadrado, o círculo, a linha e o triângulo. A partir desses quatro elementos básicos, Falves Silva surpreende com uma lógica combinatória marcada pelo dinamismo das formas e cores culminando em poemas visuais que fornecem, simultaneamente, múltiplas e infinitas possibilidades de arranjos sem perder a unidade do conjunto. De fundo construtivista, as formas e os padrões geométricos reorganizados e recombinados em diferentes cores, dão origem a uma multiplicidade de poemas visuais nos quais se percebe uma lógica que se por um lado é visivelmente tributária de nossa tradição construtiva ao mesmo tempo a atualiza com soluções formais peculiares. Essa capacidade aponta para a própria trajetória do artista, marcada por uma incessante atualização, reinvenção e reconstrução de um projeto poético que nunca perde sua coerência.

 

Fabrícia Jordão e Sanzia Pinheiro Barbosa

Agosto de 2016